• A medicação “mata” tanto os microrganismos ruins quanto os bons, levando a uma desorganização da flora intestinal, exemplifica o pediatra Moisés Chencinski

    O pediatra e homeopata Moisés Chencinski alerta para o uso indiscriminado de antibióticos. Isso porque a medicação “mata” tanto os microrganismos ruins quanto os bons, levando a uma desorganização da flora intestinal. “Não raro, durante o tratamento, a criança apresenta diarreia por essa razão”, afirma. Para piorar, nesse momento também podem surgir outros germes oportunistas, segundo o pediatra – como o Candida albicans, que causa o popular sapinho e corrimento. Outro risco associado ao uso precoce e em excesso desse tipo de medicação é o desenvolvimento de alergias, doenças autoimunes e, principalmente, o aumento das temidas superbactérias – microrganismos resistentes aos antibióticos disponíveis hoje.

    Como evitar colocar a imunidade do seu filho em risco à toa, então? Não é uma questão de banir os antibióticos para sempre. Mas os especialistas ouvidos pela CRESCER são unânimes em afirmar que o acompanhamento pediátrico de rotina – em vez de só recorrer ao pronto-socorro – é essencial. Além de evitar a prescrição exagerada desse tipo de medicação por já conhecer o histórico do paciente, o médico também irá orientar os pais sobre essas medidas que falamos aqui, das vacinas à alimentação, e sempre de acordo com o contexto da sua família.

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  • Tomar antibiótico por uma semana pode prejudicar as defesas do organismo por até dois anos, segundo estudo feito pelo Instituto Sueco para Controle de Doenças Infecciosas e publicado na revista “Microbiology”.

    Flora intestinal é o nome dado às bactérias que vivem na parede do intestino. Lá existem centenas de espécies de micro-organismos, protetores ou nocivos à saúde, que convivem em equilíbrio.

    As bactérias “boas” têm funções metabólicas, como ajudar no funcionamento do intestino, na absorção de gordura e vitamina B12 e na produção de ácido fólico.

    “A função mais importante é controlar bactérias desfavoráveis. Sem elas, nós viveríamos constantemente com infecções”, diz Ricardo Barbuti, médico endocrinologista da Federação Brasileira de Gastroenterologia.

    Segundo o especialista, há muito se sabe que os antibióticos têm efeito na flora intestinal. O que o estudo recém-publicado mostra é que essas alterações duram muito mais tempo do que se pensava.

    “Além de causar um desequilíbrio passageiro, o remédio também seleciona bactérias resistentes. Agora sabemos que essa resistência pode durar mais tempo”, explica André Zonetti de Arruda Leite, médico endocrinologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    Diarreias, disfunção intestinal e inflamações (colites) são as consequências mais comuns do desequilíbrio da flora intestinal. Tanto faz se o uso do antibiótico é feito de forma correta ou incorreta -por mais ou menos tempo do que o necessário.

    “O medicamento deve ser usado só quando o benefício compensa o risco e não há outra alternativa”, diz Barbuti. Gripes, resfriados ou dores de cabeça não devem ser tratados com antibiótico.

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