Pesquisador desenvolve vacina para tratamento mais eficiente e menos agressivo de alergia.
O tratamento de alergias a gato e ao pólen de tasneira pode se tornar mais eficiente e seguro em pouco tempo, se as pesquisas realizadas pelo imunologista Mark Larché funcionarem. Ele está testando um método de vacinação que acredita causar menos danos aos pacientes que a imunoterapia, comumente usada para tratar esses casos.
A imunoterapia é considerada uma abordagem eficiente, mas um tanto quanto arriscada, que envolve dar a uma pessoa doses crescentes da mesma coisa a que ela é alérgica, na esperança de torná-la imune. Este tratamento envolve aplicação de injeções três vezes por semana por cerca de sete meses, sendo repetida por cinco anos ou mais. E porque essa opção envolve a exposição ao alérgeno atual, sempre há um risco de reações alérgica, que vão desde inchaços a choques anafiláticos.
- A imunoterapia funciona – diz Andrew Saxon, imunologista da Universidade da Califórnia. – O problema global é que há riscos, isso sem mencionar que é cara e demorada.
Em vez de usar o alérgeno inteiro, Larché coloca apenas partes dele em sua vacina. Na teoria, isso é suficiente para fazer o organismo perceber a presença da substância, mas não basta para causar uma reação alérgica. Em vez de meses de imunoterapia, ele planeja a aplicação uma vez por mês, por quatro meses. Já que o tratamento é muito novo, não se sabe se uma reaplicação uma vez ao ano seria necessária para manter os benefícios.
- Se funcionar, nos levará a algo mais seguro e menos agressivo.
Larché acredita que sua primeira vacina pode chegar ao mercado em 2014. Ele já testou a versão para gatos em 350 pessoas e planeja testá-la em outras centenas de voluntários ainda este ano. Mais 300 pacientes alérgicos receberam a versão para tasneira. Até agora, os beneficiários relataram que, após a vacinação, os sintomas – quando dentro de um local onde há circulação de alérgenos – caem quase pela metade.
A ideia por trás das vacinas é mudar a resposta imunológica das pessoas a um alérgeno, como a proteína Fel d 1 que os gatos espalham a sua volta quando estão se lambendo. A resposta certa é tolerância – células do sistema imunológico reconhecem o alérgeno, mas decidem que isso não é uma ameaça. Mas no caso de uma alergia, essas células detectam a presença da substância e a atacam com anticorpos. Isto leva a uma resposta intolerante: espirros, coriza e inflamações na pele.
Os anticorpos atacam apenas se eles veem o alérgeno inteiro. Larché cria artificialmente pequenos pedaços do alérgeno fabricando filamentos de proteínas, chamados de peptídeos. Eles são reconhecidos por tolerantes células do sistema imunológico, mas ignoradas pelas que desencadeiam a alergia. Ao ativar as células corretas, os peptídeos parecem voltar a treinar o corpo para ter uma resposta mais amena.
Os cientistas ainda não sabem como isso acontece. Larché examina amostras de sangue de seus pacientes antes e depois da vacinação num esforço contínuo para entender o processo.
Larché primeiro trabalhou com alergias a gato, porque elas são um problema relativamente simples. A maioria das pessoas que espirra quando está perto desses animais é alérgica a uma proteína específica, Fel d 1. O que desencadeia a alergia a pólen da tasneira também é uma proteína, chamada de Amb a 1, que faz os açúcares caírem. Os ácaros da poeira, pelo contrário, têm mais de dez proteínas que podem causar problemas. O desafio será conceber a mistura certa de peptídeos para cada situação, observa Saxon.
O imunologista também trabalha no desenvolvimento de vacinas para outros tipos de alergia e espera que a mesma estratégia funcione em doenças em que o sistema imunológico ataque outras partes do corpo, como o diabetes tipo 1 e a artrite reumatoide.
Os investigadores separaram os casais em dois grupos. No primeiro, os portadores do vírus começaram a tomar remédios 60 dias depois do início do estudo. Já no segundo, os soropositivos começaram a terapia tardiamente, somente depois da contagem de células de defesa ficar abaixo de 250 por milímetro cúbico no sangue ou quando uma doença os afetava, como no caso da pneumonia pneumocística – doença causada pelo micro-organismo Pneumocystis carinii.



